Aposentado investe R$ 500 mil em pousada e vê sonho ser demolido às margens do lago de usina no TO
Processo de desocupação de áreas de chácaras começou nesta terça-feira (18), em Palmas O sonho de construir uma pousada virou um prejuízo de R$ 500 mil p...
Processo de desocupação de áreas de chácaras começou nesta terça-feira (18), em Palmas O sonho de construir uma pousada virou um prejuízo de R$ 500 mil para o aposentado Aloízio Mota, de 85 anos. A construção, que estava quase pronta, foi demolida nesta terça-feira (18), durante a desocupação de uma área às margens do lago da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães (UHE Lajeado), em Palmas, por determinação da Justiça Federal. "É um sonho de final de carreira assim meio pesadelo. Não acordei ainda direito", afirmou. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp A disputa judicial entre os posseiros e a Investco se arrasta desde 2014, na altura dos quilômetros 36 e 37 da rodovia TO-010. Em março deste ano, os moradores foram notificados a deixar o local e demolir os imóveis. Em julho, a decisão de reintegração de posse foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília. Pousada que estava sendo construída foi demolida Reprodução/TV Anhanguera Muitos moradores viram o trabalho de uma vida sendo demolido em segundos. Pelo menos 50 chácaras foram afetadas. Mesmo desolado vendo o monte de entulhos que era sua casa, o aposentado Ogacir Bozoli ainda se preocupou com os vizinhos. "A gente não tem nem noção o que que o que vai acontecer de agora para frente. E não é só eu, não. Tem gente aqui pior que pior que eu muito aqui, ó. Tem coitado de velhinho aí, né? Que que não tem onde se encostar", lamentou. Em nota, a Investco informou que é responsável pela gestão das áreas da hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães. A empresa diz que cumpre as obrigações legais, respeita a decisão do Poder Judiciário e colabora com as autoridades para cumprir essa sentença sempre dentro do que determina a Justiça Federal (veja íntegra da nota abaixo). LEIA MAIS Chácaras às margens do lago de Lajeado começam a ser demolidas após decisão da Justiça Pescador mergulhou nove metros para localizar casa e maquinários submersos no Lago de Palmas; VÍDEO Morador viu casa sendo demolida em chácara no TO Reprodução/ TV Anhanguera Após a decisão do TRF-1, houve um prazo de 15 dias para que as pessoas deixassem a área. A Justiça também determinou uma data para que a energia da região fosse cortada e, por fim, para a desocupação forçada. Nem todos conseguiram retirar os pertences a tempo. Enquanto isso, muitos corriam para salvar o que ainda era possível para diminuir os prejuízos. "Como vocês podem ver, máquina passando e fica aquele ar de destruição, né, do que a gente construiu", comentou o autônomo Jeferson Martins. Segundo os chacareiros, a região foi alvo da ação judicial porque a empresa alega que se trata de uma área de preservação. "Poderia ter sido notificado quando começou a construir, ela poderia ter vindo aqui, avisado para o pessoal que isso aqui era uma área irregular, que não que era da Investco, que aqui já tinha sido indenizada e que não podia construir. Mas não, ela nunca falou nada. Aí essas pessoas vieram construindo, construindo e o prejuízo está aí". Pelo menos 50 chácaras foram afetadas por ordem de reintegração de posse no TO Reprodução/ TV Anhanguera Íntegra da nota da Investco A Investco informa que, seguindo determinações da Justiça Federal, foi iniciada a execução de reintegração de posse das áreas vinculadas à concessão federal da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães (UHE Lajeado). A ação é realizada em conformidade com as determinações dos órgãos competentes e, como responsável pela gestão e proteção dessas áreas, a Investco acompanha o cumprimento da decisão e presta o apoio necessário às autoridades envolvidas. A empresa reitera que, como concessionária de serviço público, respeita e atua no cumprimento das obrigações legais e contratuais de proteção do patrimônio da União que está sob sua responsabilidade. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.